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Jantar Comunitáio - Os convidados

A Ana Rita e o Agostinho são um casal de surdos mudos que vêm aqui regularmente. Fiquei contente quando, no fim do jantar e já à saída, lhes fui mostrar o desenho e vi que estavam rodeados de outros jovens como eles. Estes amigos, embora se fizessem entender com alguma dificuldade, esforçaram-se por me explicar o que já sabia: que eles eram namorados :)

Alguns velhotes, um pouco mais alheados, ficam  em silêncio, absortos nos seus pensamentos

No início do jantar reparei neste senhor, muito querido, que distribuía aleatóriamente beijinhos, com grande familiaridade.
 Depois do jantar repetiu a dose (de beijinhos), enquanto dizia convicto: " Então até daqui a 15 dias!". Perguntei se o podia desenhar. Claro que sim, e pôs- se em pose. Pedi que se deixasse estar como estava, que não se incomodasse. Quando acabou, mais dois beijinhos e lá foi à sua vida.
Não consegui ver o seu nome mas, seja como for, até daqui a 15 dias, Senhor dos Beijinhos.



Jantar Comunitário - Os Voluntários

    Entre convidados e voluntários  chegam a juntar-se na sala cerca de 250 pessoas.
Os voluntários  são os que permitem, com o seu trabalho, que tudo isto aconteça.
Aqui, voluntários atentos, ouvem o briefing que lhes é dado antes de jantar.


 Uma voluntária, espera que alguém se sente à sua mesa. Pode ser um sem-abrigo, um toxicodependente, ou apenas alguém que vive isolado. Parece um pouco ansiosa. De facto, fazer com que alguém se sinta pessoa, nem sempre é tão fácil quanto parece...

Aqui, alguns dos muitos rapazes  que trabalharam  na cozinha no dia em que estivemos presentes

Jantar no Serve The City

Explicaram-nos que os jantares no Serve The City , mais do que jantares, são encontros  entre pessoas que vivem separadas por linhas invisíveis na cidade, mas que ali são companheiros de mesa e de vida. Habituámo-nos a conhecer os do lado de lá da linha pelas suas necessidades; estes jantares, são oportunidades de os conhecermos pelo nome. Cheguei cedo, e fiquei no carro. Chovia e estava frio, e as pessoas  que iam chegando abrigavam-se debaixo do alpendre. Cumprimentavam-se, brincavam uns com os outros, mostrando  já conhecer-se, senão doutros sítios, pelo menos dali. Apesar do ambiente bem disposto, alguns isolavam-se, mais taciturnos e silenciosos. Fiz vários desenhos ao longo da noite. Estes, cá fora, foram os primeiros.