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Sabe bem tentar ajudar...

 Fiquei muito contente por o IPO ter escolhido  estes meus desenhos para as sua campanha.
Sabe bem tentar ajudar:)


Quando as histórias dos desenhos são menos felizes....

Na sala de espera do Pavilhão de Medicina do IPO, o clima era tenso. 
Uma velhota tentava convencer o marido a continuar a tomar qualquer remédio e ele gritava: 
"Não quero mais, porra! Ainda não percebeste? És teimosa!  Deixa-me! "
Depois amuou. 
Ela calou-se, olhou para o lado e ficou a torcer a mala, nervosamente. 
A sala ficou em silêncio.









À porta do Pavilhão de Medicina do IPO.


Cá fora também se espera. Fumam-se cigarros, uns atrás dos outros. Por telemóvel  informam-se familiares e amigos do que está a contecer lá dentro. Alguns doentes vêm apanhar ar, de robe - só um bocadinho, que depois voltam.
 Chegam e partem pessoas. Umas mais amparadas que outras.
Odeio hospitais, odeio urgências, odeio doenças.

Encontro no IPO e notícias do " Meu Amigo"

No fim do encontro no IPO fui visitar o Meu Amigo.
A operação correu bem, mas ainda não teve alta.Fiquei com o seu email, para lhe enviar as suas fotografias e desenhos. Quis ler-me passagens do livro "Cancro não é uma doença, é um mecanismo de sobrevivência", de Andreas Moritz.
É o que anda a ler. E está a gostar.

De novo as vitrines



O meu amigo do IPO

Hoje fui desenhar o bloco operatório do IPO. A perspectiva é muito difícil, mas cá vai:)
O primeiro senhor entrou, deitadinho na sua maca e, enquanto lhe faziam a primeira "maldade", olhava ora para os enfermeiros, ora para mim e, assim que pôde, fez-me com a mão um  sinal de "clic fotográfico", como a perguntar se eu estava ali para tirar fotografias. Acenei que não com a cabeça, mostrei os cadernos e os pinceis, e ele anuiu, sempre a sorrir.
Mas, assim que pôde, a mão tornou a fazer-me aquele sinal. Supus que queria mesmo que eu lhe tirasse uma fotografia e assim fiz.  Entretanto fui tentando desenhar e interpretar (leigamente ) o que lhe estariam a fazer.


A seguir ao catecter e ao  sôro, viraram-no e, depois de muito lhe apalparem a coluna, espetaram-lhe uma agulha nas costas. Supus que lhe tivessem dado uma epidural...


Tornaram a voltá-lo para cima e, enquanto continuavam os trabalhos, uma enfermeira segurou-lhe na cabeça e esteve ali, a fazer-lhe festinhas, durante muito tempo. Que bom, ser operado e ter miminhos...

Depois vieram mais médicos, conversaram um pouco com ele, talvez a explicar-lhe o que iria acontecer...

Por fim  foi a operação própriamente dita, que ele não podia ver porque tinha em frente uns ferros, (com uma  mantinha florida do IPO), a tapar todo o cenário.
Talvez por não poder ver o que estava a acontecer, olhava muito para mim, com um ar inquisidor, e eu, enquanto desehava ia-lhe sorrindo também, e fazendo "fixes" ao mesmo tempo com a mão :)
E assim acabou esta  operação do - acho que posso dizer- meu amigo
Espero que corra tudo bem com ele!
Uma coisa é certa: ficamos a admirar muita gente, quando assistimos a uma coisa destas!!!


Vitrines do IPO

Perguntava uma senhora nos corredores do IPO: 
É dos Urban Sketchers? Não sei bem porquê, mas já vi  vários de vocês de volta dessas vitrines..." 
Pois é. Porque será? 
Porque as peças são muito bonitas? Porque nos transportam para  tempos tão longínquos que, por não conhecermos, nos levam a imaginar cenários e personagens glamorosos? Porque foram usadas por  doentes  e médicos verdadeiros  e carregam consigo as suas histórias? Porque nos levam a fantasiar um universo hospitalar tão diferente do actual, com as suas refeições,  distribuídas por empresas de catering, em tabuleiros plastificados?
(Nota: ao fazer estes desenhos tive sempre em mente umas aguarelas lindíssimas que vi um dia, só de colheres, mas foi há tanto tempo que já nem sei de quem são. Alguém sabe do que estou a falar?)