No sábado de manhã, no âmbito da Compostela Ilustrada, tive a sorte de orientar um Workshop nos telhados da Catedral de Santiago de Compostela. Fiz alguns desenhos durante uma primeira visita guiada num dia anterior, que tive que aguarelar mais tarde pois não era permitido afastar-me do grupo de visitantes. O último, fiz no próprio sábado, em conjunto com os simpáticos desenhadores que se inscreveram no meu grupo.
São Pedro de Moel

NÃO VAMOS ESQUECER
Senti-me desolada, inconformada, triste e revoltada com o modo como os incêndios deixaram o nosso país. Mas senti-me acima de tudo impotente. E irritada porque, se a memória não me atraiçoa, sei que nos esquecemos todos muito rapidamente destas coisas, porque não estamos lá. Basta outro tema ser posto em palco e zás, esquecemo-nos!
E foi assim que me pus a caminho. "Mas o que vais fazer com isso?" perguntavam-me. Não sei, mas alguma coisa tenho que fazer".
Lembrei-me então que se algum jornal ou revista publicasse os meus desenhos sobre incêndios durante um longo período de tempo, isso poderia ajudar alguém a não esquecer.
E muito melhor seria se todos, de norte a sul, fizessem um desenho in loco sobre um incêndio, um rescaldo, uma aldeia, uma vítima ou uma comunidade atingida e se todos eles fossem publicados. Juntos seriamos mais fortes.
E foi assim que me pus a caminho. "Mas o que vais fazer com isso?" perguntavam-me. Não sei, mas alguma coisa tenho que fazer".
Lembrei-me então que se algum jornal ou revista publicasse os meus desenhos sobre incêndios durante um longo período de tempo, isso poderia ajudar alguém a não esquecer.
E muito melhor seria se todos, de norte a sul, fizessem um desenho in loco sobre um incêndio, um rescaldo, uma aldeia, uma vítima ou uma comunidade atingida e se todos eles fossem publicados. Juntos seriamos mais fortes.
O Público online aceitou publicar os nossos desenhos, um a um, durante tanto tempo quanto possível.
Porque é sério, porque é grave, desta vez NÃO VAMOS ESQUECER!
O jardim da Compave
Em dias de tédio, vou à varanda, ou desço lá abaixo, com pinceis ou canetas escolhidas quase à toa, e desenho o jardim, às três pancadas. . A Compave, como é chamado. As memórias deste síto exigem que um dia faça um desenho melhor. Por enquanto, só saiu isto...um amontoado de coisas que se mesclam e sobrepoem confusamente. Como as memórias, talvez...
É Outono
De há uns anos para cá o Outono já não é aquela coisa de dias lindos, tranquilos, com uma luz tépida e suave mas ainda luminosos, a encurtarem progressivamente até ao dia da machadada final: esse horror da mudança da hora que algum pérfido ser inventou e que nunca me conseguirão enfiar na cabeça que é para poupar energia.
O Outono é apenas, quando a Sidónio Pais fica cheia destas castanhas selvagens, ou de jardim, que não servem para comer, mas - dizem os entendidos - afugentam as traças e se devem pôr no roupeiro.
Não sei se é verdade ou não, mas são lindas, gordas, brilhantes, e têm uma cor quente que não se consegue imitar. Apanhá-las é um vício irresistível e, enquanto o faço, sinto aquele regozijo de que mais um ano passou e tudo se repete sem mudanças. Porque será que - gostando eu tanto de mudar, de viajar, de fugir ao tédio dos dias sempre iguais - gosto tanto destas coisas rotineiras?
E é no Porto que começa a viagem. Ou não?
Muitos são os caminhos de Santiago: o Francês. o da Costa, o Português, o Espanhol...
Este começa no Porto e vai andando sempre pela costa, até Caminha, depois Baiona, Vigo e por aí fora. É um caminho pequeno, mas uma verdadeira viagem.
A minha começou num mail. Depois passou para um mapa e só depois se iniciou, literalmente.
Como sempre, tive o frenesim da viagem, aquela excitação que talvez nasça do trocar o previsível pelo desconhecido, da antecipação do prazer de ver e descobrir coisas novas.
Raramente penso nisto mas, afinal, o que é uma viagem? Onde começa? Como nos transforma?
E o que distingue uma viagem duma peregrinação?
Que espécie de viajante é o peregrino - que espero encontrar tantas vezes nos próximos dias?
Uma aventura a caminho de Compostela Ilustrada

Há uns meses recebi um email de uma editora espanhola, a convidar-me para participar num projecto cuja intenção subjacente seria dar visibilidade às mulheres no mundo da ilustração, e que consistia naquilo que, na minha cabeça imedatamente se desenhou como sendo uma aventura fantástica: integrar um grupo de quatro desenhadoras, que iriam percorrer e desenhar o caminho da costa entre o Porto e Santiago de Compostela. Esses desenhos dariam corpo a um livro a apresentar na 2ª Edição do Compostela Ilustrada, a acontecer em Novembro.
Quando soube quem eram as outras três convidadas vacilei, como certamente compreendem: a Fernanda Lamelas, que dispensa apresentação, a Isabel Seidell e a Blanca Escrigas Ui...
Não resisti a investigar como o meu nome tinha surgido. Obrigada Ana Luísa Frazão!
Ainda bem que me enchi de coragem e aceitei o desafio, porque foi uma experiência única.
E agora, vamos a Santiago?
Vou pondo aqui algunsdos desenhos que fiz.Por hoje, ficam estes...
Mecanismos que não percebo, não servem para o Desafio dos USkP
Quando vi o desenho que o Henrique fez da sua impressora, tinha ao meu lado um tinteiro HP vazio, para levar para a reciclagem. Tentei desenhá-lo, perceber como funciona, mas em vão...
Assim não vale, pois não? :)
Bairro do PRODAC*, Lisboa Oriental
Não é bonito, nem corresponde (na minha opinião), à bucólica descrição de "um conjunto de casas no meio do arvoredo, que se assemelha a uma pequena aldeia no meio da cidade" do site da Junta de Freguesia de Marvila. Mas tem uma intensidade muito própria e o encanto irrresistível duma população envelhecida que vive em estreita comunhão e convivência.Cada casa é uma vida, cada janela é uma história. Escolhi este beco, com "O sonho de Laurinda e Filipe", mas a minha maior atenção foi para a senhora que, num vai vem incansável, estendia a roupa no estendal.É tão bom desenhar pessoas e ir construindo e fantasiando a sua história...
Senti-me aqui muito bem, todos foram super simpáticos e apetecia-me ter ficado todo o dia por ali. Gostava de lá voltar!
*Associação de Produtividade na Auto Construção
*Associação de Produtividade na Auto Construção
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