Deslizando e olhando as margens, as horas vão passando. E a vida destas pessoas vai decorrendo, com naturalidade. Como será viver assim - nesta intrincada rede de rios, estuários e canais - na água, da água e para a água? Como será o passar dos dias e das noites ? Quantas vezes acenam e sorriem alegremente para quem passa? É a pensar em tudo isto que vou calmamente fazendo os meus desenhos, um atrás do outro, tentando apanhar tudo o que consigo, nem que seja o barco da polícia :)
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Houseboats
Viajar um dia inteiro, de manhã à noite pelos canais é uma experiência única. A viagem começa nos canais mais largos, onde a paisagem é deluxuriantes palmeiras e imensos arrozais.
Tudo é tranquilidade e silêncio à nossa volta!
Com o passar do tempo, os canais começam a afunilar, tornam-se cada vez mais estreitos e cruzamo-nos de perto com as pessoas que aqui vivem nos barcos e nos acenam alegremente.Marari Beach
Viemos dois fins de tarde a esta magnífica praia tropical, selvagem, de areia branca e mar agitado onde as sombras debaixo das palmeiras convidam, entre dois banhos, a uma sesta ou a... um desenho. Optei pela segunda hipótese, que a sesta não me atrai.
Os homens em tronco nu, no desenho, não estão de fato de banho. Estão de lunghi - uma espécie de saia, que usam sempre, feita com um pano enrolado na cintura. Também as mulheres e as crianças se passeiam (e tomam banho!) vestidos. Aqui não há bikinis nem burquinis !
Homens, mulheres, crianças, velhos, novos, hindus, católicos, muçulmanos, freiras, todos contribuem para dar à praia um colorido especial, que tentei apanhar em mais um dos meus mal amanhados cadernitos desdobraveis.
Para quem gosta de desenhar pessoas, está-se aqui como nas nuvens :)
Os meus "cadernos" do Kerala
Nesta viagem, como já referi, levei um caderno da Ketta (maravilhoso, claro!) mas, antes de partir, tive a sábia intuição de que não me iria chegar.
Colei então, à última da hora, uns amontoados de restos folhas que tinha em casa (bem à matroca, como sou "especialista"!), a que não posso chamar cadernos - e aos quais espero que as Kettas, Sofias e Marilisas desta vida nunca ponham a vista em cima :)) - mas que, tenham que nome tiverem, me vieram a dar muito jeito! Não há pior que querer desenhar e não ter onde, não é?
Hesito em pôr aqui tudo o que para lá desenhei. É monótono e cansativo. mas acho que não tenho outro remédio pois para mim o blog é, também, como uma grande estante, um sítio onde guardamos ordenadamente tudo aquilo de que não nos queremos desfazer e não sabemos onde pôr...

No final o resultado é mais ou menos assim:
Colei então, à última da hora, uns amontoados de restos folhas que tinha em casa (bem à matroca, como sou "especialista"!), a que não posso chamar cadernos - e aos quais espero que as Kettas, Sofias e Marilisas desta vida nunca ponham a vista em cima :)) - mas que, tenham que nome tiverem, me vieram a dar muito jeito! Não há pior que querer desenhar e não ter onde, não é?
Hesito em pôr aqui tudo o que para lá desenhei. É monótono e cansativo. mas acho que não tenho outro remédio pois para mim o blog é, também, como uma grande estante, um sítio onde guardamos ordenadamente tudo aquilo de que não nos queremos desfazer e não sabemos onde pôr...

No final o resultado é mais ou menos assim:
Alappuzha
Quando é este o cenário que se vê ao acordar, durante o pequeno almoço, ao fim do dia e ao jantar, como é possível resistir sem desenhar? Um atrás de outro, fui fazendo desenhos, a várias horas do dia, com várias luzes, diferentes vagares, com mais ou menos barcos, com pessoas ou sem elas...Tão bom...
A árvore de Cochim
Kochi é muito assim: pequenas ruas fortemente arborizadas, com (ruínas de) casas coloniais inglesas, portuguesas e holandesas. Perto de nós havia um imenso descampado, com uma enormíssima árvore que não sei dizer a espécie, cujas raízes faziam de bancos e a compacta copa dava sombra a toda aquela espécie de praceta. À sua volta iam acontecendo várias coisas ao longo do dia, sempre diferentes conforme as horas: treinos de futebol, reuniões de adolescentes, torneios de criquete, encontros de bicicletes, pausas de jovens vindos das escolas, com as suas impecáveis fardas azuis a que não faltam lacinhos nas tranças das meninas. Não me cansava de passar por ali. Parecia um filme. Por mim, ficaria horas só a ver toda esta vida! Não fossem os mosquitos, que me comeram viva enquanto fiz este desenho, e acho que teria feito muitos mais...
Ernakulam
Ernakulam é outra das "ilhas" de Cochim. Ao longe, vista do ferry, parece pacata. Quando se desembarca porém, não restam dúvidas de que é a maior, a mais populacional, comercial e agitada de todas.
Não resisti a um esboço muito rápido, quase em andamento, do mercado quente e abafado, tapado em busca de sombras por enormes plásticos azuis.
Fort Kochi: Praia, passeio marítimo e redes de pesca chinesas
O ambiente é difícil de descrever:
É animado, há muita gente - de vários credos e religiões! - mas ao mesmo tempo é calmo e tranquilo, porque é um espaço de lazer ao fim do dia, quando o ar refresca e e as famílias e os amigos se juntam descontraidamente à espera que a noite chegue.
É irresistível tentar desenhar, mas impossível conseguir dar uma ideia aproximada de tudo isto.
Ainda assim, deixo aqui aquilo que fiz ...
O clima é muito húmido, às vezes caiem monções mas, com alguma sorte, conseguimos escapar sem valentes molhas, mesmo quando no mar a tempestade caía de forma ameaçadora.
Cochim e Vasco da Gama
Munnar e as plantações de chá
Continuar na louca e viciante costa Tamil Nadu (e retomar o percurso perdido), ou saltar directamente para o Kerala ( na costa oposta da Índia): eis a questão!
A frescura e a calma do Kerala pareceram mais compatíveis com o estado de recuperação do nosso (ainda débil) doente. Avançámos assim para a zona de montanhas onde, a muitos metros de altitude - e por entre densa e lindíssima vegetação tropical- crescem gigantescas plantações de chá, sempre com muitas e coloridas mulheres a trabalhar.
A tranquilidade de Munnar pediu um desenho de cores frescas, que nem de longe consegue retratar a força da "tropicalidade" que aqui se fazia sentir
A frescura e a calma do Kerala pareceram mais compatíveis com o estado de recuperação do nosso (ainda débil) doente. Avançámos assim para a zona de montanhas onde, a muitos metros de altitude - e por entre densa e lindíssima vegetação tropical- crescem gigantescas plantações de chá, sempre com muitas e coloridas mulheres a trabalhar.
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